Semana lendo Para sempre teu, Caio F., da Paula Dip. Nossa, que delícia e também quanta emoção, quanta lembrança e como não podia deixar de ser, quanto choro no último capítulo. E eu fui lembrando de várias passagens da minha vida ligadas ao Caio, desde o primeiro livro que comprei, Os dragões não conhecem o paraíso, por indicação do Candé, que vai até fazer um documentário sobre ele agora. Até o dia em que peguei um ônibus pra São Paulo com duas amigas só pra assistir a estreia de À beira do mar aberto em São Paulo, o que aliás foi uma sorte tremenda, porque a peça acabou não estreando no Rio.
Quando o Candé quis montar a peça e pensou no Gilberto Gawronski para dirigir, já que ele era amigo do Caio e conhecia como ninguém a obra dele (eram tempos antes do Google, do Orkut e afins.), ele não sabia como contactar o Gilberto. Daí um dia na Cal eu vi o Gilberto, guardei bem a fisionomia dele e falei com o Candé. Uns dias depois teve alguma estreia no Carlos Gomes (acho) e lá estávamos eu e Candé e o Gilberto do outro lado, fomos lá no carão, apresentei os dois, mesmo sem ainda conhecer o Gilberto (que seria meu professor na Cal um tempo depois) e dei espaço pros dois conversarem. Daí surgiu a peça deles e a minha aventura de ir a São Paulo de ônibus, imagina logo eu, criada à base de viagens de avião.
Um tempo depois, o Caio veio pro Rio autografar Ovelhas Negras. Eu estava gripadíssima e lá fui eu pra Argumento. O Candé disse que ia me apresentar ao Caio e eu não queria me aproximar muito dele, porque na época ele já estava doente e eu ficaria muito mal se passasse minha gripe pra ele, aí mantive uma certa distância. Totalmente emocionada. Ele autografou meu livro e disse: Olha, o que escrevi é verdade. Eu ri, agradeci e saí da fila que estava enorme. Abri meu livro e lá estava: "À Bruna, mais bela que a Lombardi." Imagina! Meu escritor preferido escrevendo isso pra mim!
Alguns meses depois, o Caio faleceu. Lembro da notícia saindo no Fantástico e eu chorando horrores. Daí liguei pra Doda que já sabia da noticia, porque a mãe dela era amiga dele. Ficamos as duas conversando horas. O Candé me ligou e disse que o Caio tinha pedido a todos que se vestissem de branco. No dia seguinte, uma 2a feira, lá estava eu, há muitos quilômetros de distância fazendo a minha homenagem a ele.
Anos depois fiz 3 peças dele na Cal e mais um pouco depois fiz minha monografia em cima de Pode ser que seja só o leiteiro lá fora (chamada: Maldição e Luz: Dicotomia Setentista). Lamentei um pouco o livro da Paula Dip ter só saído agora, teria me ajudado bastante na época. Mas eu já estava demorando horrores a entregar a Monografia, porque já sabia que o Caio Fernando Abreu - Cartas ia sair. Tanto é que assim que saiu, entreguei a monografia umas 3 semanas depois, era exatamente o que faltava para um belíssimo fechamento.
E, claro, que todas estas histórias, foram permeadas por muitas leituras de Caio F. As pessoas brincam comigo, porque tem vários contos que sei de cor. Tô agora fazendo Tudo no Timing, do Davis Ives, e claro que consegui colocar Caio no meio, então no meio de Tudo no Timing, tem a vez de Jean Tardieu, de Karl Valentin, e como não poderia deixar de ser, de Caio Fernando Abreu.
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Pano Rápido: Comprei o livro e fui pra casa de praia. O livro tava em cima da mesa e eu e meu pai assistindo a um show do Elvis Presley, lá pelas tantas, meu pai virou a taça de vinho inteira no meu livro. Normalmente eu teria ficado chateada, mas achei algo tão Caio. Sei lá, não tenho muita explicação. O único problema foram as páginas meio duras...